Por que dezembro é sempre o pior mês para o emprego formal no Brasil
Dezembro de 2025 registrou o pior saldo de emprego formal dos últimos 12 meses no Brasil (-618.164 vagas) — um padrão sazonal que se repete todo fim de ano, não um sinal isolado de crise.
O tamanho da queda
Entre os doze meses mais recentes do Novo CAGED (agosto de 2025 a julho de 2026), dezembro de 2025 se destaca isolado: saldo de -618.164 vagas, mais de dez vezes maior em módulo do que o segundo pior mês (janeiro de 2026, -56.800).
Dois motivos concentrados no calendário
Primeiro, boa parte das contratações temporárias feitas para o comércio de fim de ano (Black Friday, Natal) tem prazo determinado e termina em dezembro — cada uma dessas é um desligamento contado no CAGED, mesmo sendo previsto desde a admissão. Segundo, o custo do 13º salário integral e o início do período de férias coletivas em muitas empresas tornam dezembro o mês mais caro do ano para manter a folha de pagamento — o que antecipa desligamentos que aconteceriam de qualquer forma nos meses seguintes.
Não é exclusividade de um setor
O padrão de queda em dezembro não fica restrito a um único setor — o efeito aparece de forma distribuída, coerente com uma causa estrutural (o calendário) e não com um choque específico de algum segmento da economia.
Fonte e metodologia
Análise baseada nos microdados do Novo CAGED, Ministério do Trabalho e Emprego. Ver a série completa no Painel de Emprego.